Brasol planeja investir R$ 150 milhões em BESS as a Service para consumidores C&I em 2025

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De olho na iminência do crescimento do mercado de armazenamento no Brasil, a Brasol estruturou uma nova unidade de negócios para investir no segmento, inaugurada em 2025, com três verticais: aplicações atrás do medidor para consumidores comerciais e industriais (C&I); sistemas fora da rede e sistemas em escala de utilidade.

“Na Business Unity BESS, a gente replica o modelo de sucesso da Brasol de implantar soluções para transição energética como serviço, sem necessidade de investimento por parte do cliente, garantindo um desconto para o cliente e acima de tudo, assumindo os riscos do projeto no lugar dele”, diz à pv magazine o diretor da Unidade de Negócios de Armazenamento de Energia da companhia, Diogo Zaverucha. “A gente já faz isso com geração fotovoltaica, tanto no modelo de geração distribuída remota, quanto no modelo de geração junto à carga, sempre transformando o que seria o investimento inicial do cliente em um custo mensal, ou seja, transformando o Capex em Opex”.

Segundo o diretor, a Brasol planeja investir R$ 150 milhões na implantação de sistemas de armazenamento de energia em baterias (BESS) como um serviço para consumidores C&I em 2025. Já é possível oferecer ao cliente até 20% de desconto na tarifa que ele pagaria à distribuidora, sem necessidade de investimento nas baterias, diz o executivo. 

A avaliação é de que, neste ano, as baterias devem ganhar tração especialmente nas aplicações atrás do medidor para esse perfil de consumidor e no mercado agro, ávido pelo consumo de energia. 

“Cada vez mais o mercado agro precisa de energia, principalmente para poder energizar os seus pivôs de irrigação. Atualmente o agro é um mercado pouco atendido pelas distribuidoras, por estar concentrado em áreas isoladas. Então uma boa parte desse mercado roda a base de diesel. E hoje já é mais barato gerar energia através de microrredes com diesel e fotovoltaica do que depender só no diesel. Então a gente acredita que vai começar a ter um efeito manada nesse mercado”, diz Zaverucha.  

Regulação destravará demanda reprimida 

Na avaliação do executivo, além desses segmentos com potencial mais imediato, há uma enorme demanda reprimida no mercado brasileiro para outras aplicação de BESS, tanto na geração, quanto na transmissão e na distribuição, que ainda dependem de uma regulação mais clara, que deve ser publicada até o final deste ano. “Pela falta de regulação, a gente não pode implantar o BESS para solucionar esses problemas. Então, quando a regulação de fato for estabelecida, o mercado vai ganhara tração de maneira exponencial. A gente já tem empresas prontas, cadeia de fornecimento estruturada, preço suficiente, mas a gente não tem a regulação”, comenta Zaverucha. 

O diretor da Brasol compara o cenário da primeira regulamentação da geração distribuída com o atual para BESS. “A gente vive um momento inverso ao que a geração distribuída viveu. A regulação da GD foi publicada em 2012, mas o mercado de fato aconteceu a partir de 2017. Embora a gente já tivesse o arcabouço regulatório que permitia o mercado existir, ele só começou a ganhar tração em 2017,  quando o preço do sistema fotovoltaico caiu. No BESS, a gente vive exatamente o contrário. O BESS já chegou num valor que faz sentido financeiro utilizar o armazenamento de energia em várias aplicações para resolver problemas do setor elétrico. Mas a gente não tem a regulação ainda”, compara. 

A Brasol se preparar para atuar em projetos utility scale junto à geração centralizada e ao sistema de transmissão. “A gente tá posicionado para participar do leilão de BESS e estamos trabalhando junto com várias distribuidores e transmissoras para implantação de projetos de base para solucionar problemas que elas vem enfrentando”, conta Zaverucha. 

A Brasol considera cinco perfis de consumidores estratégicos para receber o BESS:

  1. Consumidores que desejam aumentar seu consumo e a distribuidora não tem infraestrutura para supri-lo. Isso geralmente se aplica a clientes industriais na borda da rede do distribuidor, onde é caro construir uma nova infraestrutura de rede, como uma subestação. “Um exemplo são as garagens de ônibus em São Paulo, que precisam carregar ônibus elétricos, mas não têm a infraestrutura elétrica necessária”.
  2. Consumidores que não estão conectados à rede da distribuidora. Isto é particularmente relevante para o setor agrícola, que muitas vezes depende de geradores a diesel para obter energia, com todos os custos logísticos e ambientais envolvidos.
  3. Consumidores comerciais e industriais do grupo A, que estão conectados à média tensão e têm consumo sazonal de energia. Esses consumidores pagam tarifas de pico e fora de pico, e o BESS pode ajudá-los a arbitrar energia cobrando quando a energia estiver barata e descarregando quando estiver cara.
  4. Consumidores que sofrem com a má qualidade da energia. Isso inclui fábricas que sofrem flutuações de voltagem e frequência, o que pode interromper os processos de produção. O BESS pode ser usado para estabilizar a qualidade da energia recebida por esses clientes.
  5. Consumidores que sofrem com falta de energia. A BESS pode fornecer energia de reserva para cargas críticas durante quedas de energia.

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