As emissões de gases de efeito estufa relacionadas à produção e ao uso de energia no Brasil devem aumentar 18% até 2034, saltando de 458 megatoneladas de CO2 equivalente (MtCO2eq) em 2024 para 543 MtCO2eq em 2034. A projeção faz parte do Caderno de Meio Ambiente e Energia do PDE 2034, publicado pela Empresa de Pesquisa Energética.
No período projetado, os setores de transportes e indústria continuarão sendo os principais emissores, representando 68% das emissões do setor de energia em 2034. No entanto, o setor de transportes, o principal emissor, deve ter um aumento de 12% nas emissões entre 2024 e 2034, menor que o aumento em outros setores, como o de energia. Essa desaceleração é explica pelo avanço de políticas públicas para substituição de combustíveis fósseis por renováveis, como etanol, biodiesel e combustível sustentável de aviação (SAF,), além de ganhos em eficiência e motorização e da adoção de veículos elétricos.
Apesar de responder em 2034 por apenas 5% das emissões totais de energia, o Sistema Interligado Nacional (SIN) apresenta o maior crescimento proporcional no decênio, de 84%, em função da entrada de 8 GW de usinas térmicas a gás natural determinada pela lei 14.182/2021, da privatização da Eletrobras, que devem ser operadas com inflexibilidade mínima de 70%.
Em uma análise de sensibilidade sem a entrada compulsória das usinas térmicas ainda não contratadas, a EPE estimou que, em relação ao cenário de referência, haveria queda das emissões do SIN de 46% em 2034 e de 33% nas emissões acumuladas no decênio. Essa redução se deve à entrada de UTEs a gás flexíveis, eólicas e fotovoltaicas.
Por outro lado, as emissões nos Sistemas Isolados devem cair 42% em 2034, na comparação com 2024, com a interligação de Boa Vista (Roraima) ao Sistema Interligado Nacional. Já as emissões relacionadas à produção e uso da energia na indústria crescerão 20%.
Mesmo com o aumento das emissões devido à melhoria dos padrões socioeconômicos do Brasil até 2034, a projeção de 2,4 tCO2eq/habitante mostra que as emissões per capita do país serão baixas em comparação com outras nações, atualmente da ordem de 5,4 tCO2eq/habitante (Europa, OCDE) a 13,8 tCO2eq/habitante (Estados Unidos).
O setor de energia brasileiro representou 24% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) do país em 2022, com uma matriz energética diversificada e ampla participação de fontes renováveis.
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Excelente post. Temos que reconhecer que não podemos demonizar totalmente a energia termelétrica via fósseis, já que são nosso backups em caso de crise hídrica. Também é correto dizer que o setor energético não é o principal responsável pela carbonização do país, uma vez que desmatamento e uso predatório do agronegócio são os grandes vilões. Se tivermos que combater objetiva e seriamente a carbonização temos que atuar prioritariamente no combate ao uso da terra e desmatamento. Entretanto, ao darmos ênfase na tal “Transição energética” (ou melhor na manipulável concepção oficial de transição energética) o problema é desviado. Falam em transição e ao mesmo tempo incentivam o uso cada vez maior dos combustíveis fósseis. Há uma imensa contradição entre transicionar e incentivar. Essa aberração lançada pela lei 14.182/2021, da privatização da Eletrobras, é um jabuti que vai contra toda lógica economica e ambiental.